Discípulo – Obediência x Submissão

A primeira característica de um discípulo de Jesus Cristo é a obediência e agora mostraremos mais um pouco sobre esta matéria de ordem prioritária.

A submissão em alegria é a segunda característica de um discípulo. A submissão é muito mais que obediência. É uma atitude interior de confiança no Deus Soberano, Amoroso e Onisciente. Cristo nos convida a confiar nEle: “Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o Meu jugo e aprendei de Mim, porque Sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para as vossas almas. Porque o Meu jugo é suave e o Meu fardo é leve.” (Mt 11:28 ao 30)

“Tomai o Meu jugo” significa submeter-se à autoridade de Cristo, confiar nEle. Submissão é a pré-condição para o resto de toda a obra que Jesus promete realizar em Seus discípulos e através deles.

Quando o irmão José começou a dirigir, ele observava o limite de velocidade, mesmo sem querer. A motivação para fazê-lo obedecer à lei não era a confiança, mas o medo. Certamente ele não queria levar uma multa e ter que pagar um seguro mais caro. O Estado ficava satisfeito com sua obediência à sua autoridade, não interessando a eles a motivação que José tinha.

O fato é que Cristo não se agrada de simples obediência (como robôs, ou tornando-se uma pessoa religiosa, antissocial e dura). Ele quer também que Seus discípulos sejam submissos à Ele, que O amem e confiem nEle. Existe uma diferença muito grande entre submissão e obediência (Rm 13.10).

Os fariseus oferecem exemplo clássico de obediência sem submissão. Eles obedeciam à letra da lei sem compreender o espírito pelo qual Deus intencionava que ela fosse interpretada. Eles não confiavam no julgamento de Deus porque sua lei mais alta, a Lei do amor, era-lhes totalmente estranha.

Existe o perigo iminente atrás de toda a religiosidade, que é impedir a pessoa de amar quando encontra alguém fora dos padrões que estão determinados como verdades supremas em sua concepção. A pessoa torna-se presunçosa, achando que é o “Dono da Verdade” (como os fariseus), julga e condena qualquer um que estiver em desacordo (ainda que fosse o próprio Jesus, como aconteceu com os fariseus). Ficam cegas sem capacidade de exercer a misericórdia, o perdão e o amor (a mulher achada em adultério), e o pior é que se firmam na própria palavra, porém sem o caráter e o Espírito de Cristo, o qual não veio para destruir, mas para salvar; e não para abolir, mas para cumprir a lei!

A Bíblia relata também incidentes de submissão sem obediência. Se as leis dos homens entram em conflito com as leis de Deus, o discípulo pode ainda ter espírito submisso demonstrando abertamente a sua confiança em Deus, e não acatar tais leis terrenas. Você sofrerá as consequências, mas salvará a sua alma!

Pedro e João mantiveram espírito submisso para com Deus, mesmo enquanto desobedeciam a uma lei injusta. Quando aqueles que tinham autoridade sobre os apóstolos ordenaram para que parassem de ensinar a respeito de Jesus, eles recusaram obedecer (At 4:18, 20). Continuaram a ensinar a respeito de Cristo e ainda oraram pedindo ousadia ao fazê-lo. A submissão à autoridade suprema de Deus exigiu que desobedecessem as autoridades temporais. É importantíssimo notar, porém, que Pedro e João não ocultaram sua desobediência, mas pregaram abertamente, confiando as consequências ao Senhor. Eles estavam dispostos a sofrer as consequências de maiores castigos se assim as autoridades resolvessem, sabendo que sua desobediência pública a Deus traria a Ele a glória. É bom ressaltar também que eles não estavam num espírito de rebeldia ou plácida religiosidade, porém cheios de amor a Jesus de onde receberam a coragem necessária para exporem suas vidas. Se os apóstolos tivessem se sentido “culpados” caso alguém os “pegasse” fazendo aquilo que acreditavam ser justo, eles não teriam espírito submisso. Um ato realizado com espírito submisso não causa culpa nem ofensa. Se o discípulo desobedecesse abertamente às autoridades temporais (veja bem, no caso direto de conflito à Palavra, adoração ou negação a Deus), como a oração ilegal de Daniel (Dn 6:10), e estiver disposto a sofrer as consequências é sinal que ele é submisso a Jesus, mesmo impossibilitado de obedecer.

A Autoridade Suprema de Cristo

Jesus disse: “Se alguém vem a mim, e não aborrece a seu pai, e mãe, e irmãos, e irmãs e ainda a sua própria vida, não pode ser meu discípulo” (Lc 14; 26,27). O emprego que Cristo faz da palavra “aborrece”, refere-se à autoridade a qual uma pessoa se submete, não ao afeto natural. A sua submissão a Cristo, sua confiança Nele, precisa ser de tal forma grande e integral, que em comparação a sua ligação com pessoas conflitantes, tal submissão completa a autoridade de Cristo que é irracional para qualquer pessoa que não seja um “homem morto”, isto é, alguém que fez de Cristo, Senhor de sua vida.

Quando um dos cônjuges incrédulos aceita a Jesus e recebe oposição normal, a quem deve estar submisso? Quando há um chamado missionário na vida de um jovem e seus pais crentes tentam convencê-lo que não é assim tão séria a questão; quando os sentimentos avantajados da mãe sentimental retêm a vara da correção aos filhos… A quem devemos estar submissos? Que autoridade tem a preferência? A quem devemos nos submeter; à homens, aos entes queridos, aos nossos próprios sentimentos ou ao Senhor Jesus? A Palavra não deixa dúvidas, a autoridade suprema deve ser a Cristo Jesus!!!

A passagem de Lucas 14.33 atinge em cheio o significado de ser discípulo. Qualquer coisa que amarmos desproporcionalmente pode tornar-se um “deus” para nós, sua esposa, seus filhos, seu trabalho, sua saúde, seus amigos, sua reputação, seu lar, seus planos… Mas, é importante lembrar que um verdadeiro discípulo é um homem morto, e morto não tem posses. O discípulo renuncia todos os seus direitos pessoais quando Jesus Cristo se torna Seu Senhor, agora ele se conscientiza que Jesus apenas o empresta, mas o que Deus resolve fazer é preeminente, e a observância das instruções sobre como administrar serão postas em prática sabendo que receberá de Deus graça para continuar deleitando-se nEle.

Alguns crentes colocam qualificativas à sua obediência, como: “Irei aonde o Senhor me mandar, exceto para a China”, ou “Farei o que o Senhor me mandar, se Ele me der garantia que nenhum mal acometerá à minha esposa!” O que isso realmente significa é: “Não vou à lugar algum e não faço nada a não ser que eu queira e que seja do meu jeito!” Quando estipulamos como e quando obedecermos à Deus, estamos negando nossa confiança nEle. Qualquer reserva quanto à submissão a Deus, demonstra que achamos que sabemos cuidar de nós mesmos melhor que Deus e que Ele não sabe o que é melhor para nós. Que tolice!

Deus sabe muito melhor que nós mesmos, a hora, o modo, as circunstâncias exatas de expressões e pensamentos, desejos e sentimentos que vão passar em nosso interior a daqui dez anos; ELE É ONISCIENTE (conhece o passado, presente, e futuro)!

Estejamos, pois, aptos e abertos a submeter-nos a Ele para que nossas vidas possam começar a ser uma fonte de alegria para o nosso Senhor, e não um poço de insatisfação e rebeldia. O Espírito Santo nos dará o discernimento.

Que o Espírito tenha oportunidade para nos mostrar a diferença entre Obediência e Submissão.

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