Frutos: Fatores que impedem nossa vida de frutificar

Mc 11:12-14;20-25 (A Figueira sem frutos)

E, no dia seguinte, quando saíram de Betânia, teve fome.
E, vendo de longe uma figueira que tinha folhas, foi ver se nela acharia alguma coisa; e, chegando a ela, não achou senão folhas, porque não era tempo de figos.
E Jesus, falando, disse à figueira: Nunca mais coma alguém fruto de ti. E os seus discípulos ouviram isto.
——
E eles, passando pela manhã, viram que a figueira se tinha secado desde as raízes.
E Pedro, lembrando-se, disse-lhe: Mestre, eis que a figueira, que tu amaldiçoaste, se secou.
E Jesus, respondendo, disse-lhes: Tende fé em Deus;
Porque em verdade vos digo que qualquer que disser a este monte: Ergue-te e lança-te no mar, e não duvidar em seu coração, mas crer que se fará aquilo que diz, tudo o que disser lhe será feito.
Por isso vos digo que todas as coisas que pedirdes, orando, crede receber, e tê-las eis.
E, quando estiverdes orando, perdoai, se tendes alguma coisa contra alguém, para que vosso Pai, que está nos céus, vos perdoe as vossas ofensas.

Introdução

A figueira representa o esforço humano de agradar a Deus. Ao reconhecerem que estavam nus por causa do pecado da desobediência, Adão e Eva fizeram roupas de folhas de figueira; foi o primeiro esforço humano para compensar o pecado.

A religião judaica era representada pela figueira cheia de folhas pois tinha aparência (usos, costumes, rituais), porém Jesus não encontrou nela frutos, ou seja, não tinha a eficiência para salvar o homem ou modificar a natureza humana.

Assim, Jesus, o Deus encarnado decretou: já que até aquele momento a religião judaica não havia atingido seu propósito então não o faria nunca mais. A partir daquele momento não seria mais o esforço humano em seguir os preceitos da lei da religião que salvaria o homem mas a fé.

Por que a figueira morreu? Pelo fato de que a sua vida não tinha mais propósito. O próprio Deus havia decretado que ela não mais daria frutos, que é o objetivo da existência de uma árvore frutífera. Para que continuar vivendo se ela não poderia mais fazer aquilo para o qual havia sido criada?

Isto nos leva a outra passagem que fala da figueira: a parábola da figueira infrutífera.

Lc 13:6-9 (A Parábola da Figueira estéril)

E dizia esta parábola: Um certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha, e foi procurar nela fruto, não o achando; e disse ao vinhateiro: Eis que há três anos venho procurar fruto nesta figueira, e não o acho. Corta-a; por que ocupa ainda a terra inutilmente?

E, respondendo ele, disse-lhe: Senhor, deixa-a este ano, até que eu a escave e a esterque; e, se der fruto, ficará e, se não, depois a mandarás cortar.

Jesus comenta acerca de um senhor que também procura frutos em uma figueira e não acha. Nesta ele diz que já há alguns anos que a árvore não frutifica. O texto não diz, mas pode ser que antes ela tenha sido uma árvore que tenha dado muitos frutos. Mas o fato é que tem algum tempo que não consegue obter dela o fruto desejado. Aqui há uma decisão mais drástica acerca dessa situação: o senhor manda cortar a árvore para que ela pare de gastar os recursos da terra de maneira inútil.

Porém, o vinhateiro disse ao senhor para dar mais um tempo. Oferece-se para investir mais um pouco na árvore, dar mais tempo a ela e cuidar mais dela como uma última tentativa para que volte a frutificar. Se ainda assim esta tentativa não obtivesse êxito, então a árvore estaria condenada ao corte.

Os comentaristas relacionam esta parábola da seguinte maneira: o senhor seria o próprio Jesus que procura os frutos em seus discípulos. O vinhateiro seria o Espírito Santo, que faz o papel de investir na edificação do caráter do discípulo a fim de que ele venha a ser instrumento para alcançar os perdidos. Os frutos seriam o resultado da vida transformada pelo Espírito Santo: outras vidas alcançadas e transformadas e o reino de Deus ampliado na terra.

É interessante notar que este assunto de dar fruto foi também mencionado por outro discípulo. No evangelho de João, capítulo 15, ele diz que nós somos ramos de uma videira (Jesus) e que se dermos frutos ele nos limpa e poda a fim de darmos mais fruto ainda. Se, porém, não frutificarmos então seríamos cortados e lançados no fogo.

Poucos de nós podem dizer que tem uma vida frutífera. Poucos de nós realmente vê suas vidas fazerem diferença substancial nas vidas de outros. Menos ainda vemos outras pessoas entrarem no reino de Deus por nosso intermédio. Damos, muitas vezes, a desculpa de que não temos o dom do evangelismo. A Palavra, no entanto, não limita a frutificação aos evangelistas. É uma tarefa para todos nós.

Por que, então, não frutificamos como deveríamos?

Obediência

O primeiro aspecto para entender a falta da frutificação em nossa vida é a nossa mania de ser tardios em obedecer. Arranjamos desculpas de todos os tipos para não fazermos o que Deus nos manda. Primeiro aquilo que Ele nos ordena pela Sua Palavra. Depois aquilo que Ele nos ordena pela operação do Espírito Santo em nós.

Só o fato de decidirmos obedecer a Palavra de Deus já provocará uma reviravolta em nossa vida. Nosso posicionamento em relação as coisas do mundo devido à obediência à Palavra de Deus já nos colocará em evidência perante nossos amigos não cristãos e nos abrirá a oportunidade para demonstrarmos a atuação de Deus em nossa vida.

Devemos entender que aquilo que Deus nos fala deve ser entendido dentro do nosso contexto. Deus não nos falará algo que não temos condições de entender. Se Deus nos disser para construir uma casa, Ele sabe qual é o conceito de casa que temos em nossa mente. Se Ele nos disser para fazer algo que não conhecemos, então certamente dará também uma visão para nos orientar a respeito, como fez com Moisés ao ordenar que ele construísse o tabernáculo no deserto.

Outra coisa que devemos entender é que a ordem pode ser o início de algo que será progressivo. À medida que formos fiéis em obedecer a revelação que já temos Ele irá nos ampliando a visão e aumentando os desafios. Mas se não obedecermos, não sairemos de onde estamos, não cresceremos, nossa confiança não se fortalecerá e perderemos a oportunidade de conhecermos mais a Deus. E certamente não frutificaremos.

Perseverança

O segundo aspecto que afeta a frutificação em nossas vidas é a falta de perseverança em nossos alvos e propósitos. Ao decidir obedecer e dar os primeiros passos certamente experimentaremos o entusiasmo de realizar algo novo e nutriremos a expectativa de ver os resultados dos nossos projetos.

No entanto, todos os projetos enfrentam dois problemas onde é necessário o exercício da perseverança: a rotina e a oposição.

Todo projeto entra em uma fase de rotina onde é necessário exercitar a disciplina para se manter nele apesar da falta de entusiasmo. O desafio já não é mais o projeto em si, mas sim o continuar envolvido nele. Muitos abandonam os projetos nesta fase pelo desafio de começar algo novo que promete resultados mais rápidos. Acabam, porém, não vendo resultado em lugar nenhum, pois não tiveram paciência de esperar; estão sempre recomeçando. Fico imaginando Jesus enfrentando a rotina de anos de trabalho na carpintaria sabendo que havia um propósito superior em sua vida. Já pensou se ele tivesse cedido à tentação de sair antes do momento adequado? Se não tivermos a paciência de permanecermos, apesar da rotina, certamente não veremos os frutos do nosso trabalho.

Agora, mais complicado ainda é o segundo problema: todo projeto no reino de Deus enfrenta a prova da oposição. A tribulação é o instrumento por meio do qual Deus nos testa a fidelidade e nos purifica as intenções. Fidelidade a Ele em primeiro lugar e aos nossos propósitos depois. “Jesus disse : Ninguém, que lança mão do arado e olha para trás, é apto para o reino de Deus.” (Lc 9:62).

Uma vez que tenhamos nos dispostos a obedecer a Deus devemos ficar firmes na direção inicial, o alvo, que Ele nos deu. A tribulação tentará nos desanimar para desistir e o Diabo nos tentará para nos desviarmos do objetivo inicial dado por Deus. Alguém disse que se Deus chama Ele também provê. Realmente Ele faz isso, mas enquanto você for fiel ao propósito estabelecido. A partir do momento que você deixar de realizar aquilo para o qual Deus o chamou Ele não tem mais a responsabilidade de suprir as necessidades deste projeto.

Enquanto estamos passando pela tribulação e pela oposição seremos despertados para as verdades acerca da nossa insuficiência e incapacidade e da necessidade de permanecermos humildes e dependentes do poder de Deus para realizarmos a obra para a qual ele nos chamou.

Essa seria a atuação do vinhateiro, o Espírito Santo: adubando, cortando e podando as nossas vidas a fim de que possamos dar frutos.

Certamente se não perseverarmos na tribulação e na prova não veremos os frutos do nosso trabalho.

Santificação

O terceiro aspecto que impede a frutificação em nossas vidas é a nossa atitude em relação à santificação.

Hb 12:14: “Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor;”

1 Pe 1:15,16: “Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver; porquanto está escrito: Sede santos, porque eu sou santo.”

Ser santo é ter a consciência de que se é separado para Deus e que todas as ações da nossa vida devem ser direcionadas a glorificá-lo. Não deixamos de viver a vida, mas passamos a pesar todas as decisões dela pelo que diz a Palavra de Deus. Temos agora um supremo propósito em nossa vida: amar a Deus e servi-lo, implantando o seu reino na terra e levando outros a conhecê-lo.

A santificação leva-nos a tratar o tema do pecado. Aquele que vive na prática do pecado, na verdade, não está “separado” para Deus, pois ainda vive para satisfazer a si mesmo, a sua carne e os seus próprios desejos.

O Diabo estará atento para esta área da nossa vida. Ele sabe que não tem poder nem autoridade para nos tirar ou roubar a salvação. Mas ele conhece a Palavra de Deus e sabe que o pecado nos afasta de Deus e faz com que a nossa vida torne-se vazia e infrutífera.

Is 59:1,2: EIS que a mão do SENHOR não está encolhida, para que não possa salvar; nem agravado o seu ouvido, para não poder ouvir. Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que não vos ouça.

O pecado provoca a separação entre nós e Deus. Faz com que nossas orações não sejam ouvidas e Deus deixa de agir em nossa vida. Quando persistimos em pecar nossa consciência se endurece e deixamos de perceber quando estamos fazendo algo que é errado ou que não agrada a Deus. Nossa espiritualidade diminui, nosso amor se esfria, nosso desejo pela oração e pela Palavra acaba. Como consequência, todo o desejo de frutificar levando outros a Jesus deixa de fazer sentido para nós.

Jesus disse que Ele é o bom pastor, que vai atrás da ovelha perdida (Lc 15:3-7). Quando pecamos tornamo-nos uma ovelha perdida. Perdemos a santidade e o referencial de Deus para nós; nos desviamos por um caminho que não é o dEle.

Porém, uma vez que tenhamos entregado a nossa vida a Deus Ele não nos larga facilmente. Ele nos falará através da nossa própria consciência, depois moverá as circunstâncias ao nosso redor para tentar nos despertar ao arrependimento a fim de que voltemos a buscar a vida que Ele tem para nós. O Espírito Santo trabalhará em nós para nos “convencer do pecado, da justiça e do juízo”.

O exemplo de Jonas é bem evidente. Ele recebeu uma ordem. Como servo de Deus ele deveria ter obedecido, mas decidiu não fazê-lo. Certamente Deus estava trabalhando em sua consciência, mas ele continuava não dando ouvidos e dirigiu-se para uma direção totalmente diferente da vontade de Deus. No mar, Deus começou a mexer com as circunstâncias ao seu redor para tentar despertá-lo ao arrependimento. Ele, porém não o fez. Deus teve de usar meios mais drásticos para levar Jonas a entender que não podia fugir de Deus. Muitos acham que Deus “castigou” Jonas pela desobediência. Eu vejo isto como um exemplo do amor de Deus indo atrás do rebelde até resgatá-lo.

Se não mantivermos uma atitude de busca contínua da santificação, abandonando toda a forma de pecado que Deus nos revela, nossa vida se tornará infrutífera pelo fato de que quem convence o pecador não somos nós, mas o Espírito Santo. Se ele não consegue agir em nossa própria vida dificilmente agirá através da nossa vida.

Conclusão

Temos diante de nós o desafio de levarmos uma vida que faça diferença. Deus quer que sejamos árvores frutíferas. Que deixemos de viver de maneira mesquinha, pensando apenas em nós mesmos, mas que vivamos com o propósito de implantar seu reino na terra.

Para isso devemos estar prontos a:

  • Obedecer a Deus, tanto através da Sua Palavra quanto naquilo que Ele nos ordenar pelo Espírito Santo;
  • Perseverar no propósito que Ele tenha nos dado e nos manter firmes mesmo durante os períodos de rotina ou de prova;
  • Santificar-nos a fim de manter nossa vida como canais limpos para atuação de Deus, não deixando que o pecado obstrua a nossa comunhão com Deus e impeça que Ele nos use para a sua glória.

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ADWILSON FERNANDES

Somos feitos e criados da forma que seremos úteis a Deus e as pessoas, não devemos nos entristecer nem pensar que porque somos como somos, não temos razão para existir; Somos figueiras e precisamos ser curados de toda a frustração para darmos frutos no lugar que fomos plantados. Lembre-se que você é a resposta da oração de alguém e ele precisará de você e do fruto seu fruto em algum momento de sua existência. Lembre-se que Jesus passará por você, não lhe negue o seu melhor!

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