Os Desigrejados

Versículos base: Hb 10.25; Mt 18.20; At 2.42; 1Co 14.23, 26

  1. Achamos Graça Coletiva na Reunião

A Graça que Deus concede ao homem pode ser dividida em duas partes: a individual e a coletiva. Somente podemos achar a Graça coletiva quando nos congregamos. Existe um tipo de oração que só será respondida quando feita nas reuniões, de acordo com o princípio de 02 ou 03 pedirem juntos em nome do Senhor. Se tentarmos fazê-lo sozinhos, não receberemos nenhuma resposta. Existem questões que Deus somente as resolverá nas reuniões. Talvez exista quem pense que pode viver buscando sozinho e que se pode buscar misericórdia por sua própria conta. Portanto, temos 02 tipos de resposta de oração: a oração individual e a coletiva. Se vivermos sempre isolados e não nos reunirmos haverá algumas orações que não serão respondias. Se não nos reunirmos o máximo que receberemos será a Graça individual, e perderemos uma parte grande das bênçãos, a saber, aquelas que só vêm quando oramos reunidos, em congregação.

2. A Igreja e as Reuniões

Uma das características marcantes da Igreja é que ela se reúne. O autodidata não é completamente abençoado. Se Deus tem um tipo de benção reservada para derramar nas reuniões e eu não vou em nenhuma das reuniões da igreja, então não serei completamente abençoado. O fato de a reunião dos crentes ser denominada de congregação indica o ato de congregar, se reunir. Hebreus 10.25 exorta a isso claramente. Quando Jesus esteve na Terra se reunia frequentemente com Seus discípulos: no monte (Mt 5.1), no deserto (Mc 6.32-34), em casa (2.1-2), à beira-mar (4.1), num cenáculo (14.15-17), no meio de um culto dos discípulos (Jo 20.19, 26; At 1.4), os discípulos se reuniram para orar (At 1.14), outra vez reunidos antes de Pentecostes (At 2.1), após a libertação de Pedro (At 12.12), em I Coríntios, Paulo declara uma reunião (14.23). Enfim, qualquer pessoa que faça parte da Igreja não pode deixar de reunir-se com ela.

A palavra igreja é “ekklesia” em grego. Ek significa “para fora”, enquanto klesía vem do verbo “chamar, convocar, convidar”. Portanto, ekklesía significa a assembleia daqueles que foram chamados para fora. Deus deseja que todos os que foram chamados para fora (do mundo, do pecado, etc) se reúnam. Se assim não fosse, não haveria a Igreja.

Após crermos no Senhor precisamos satisfazer uma necessidade básica: reunir-se com os filhos de Deus. Ser cristão por conta própria é estranho ao Reino. Não podemos ser cristãos que só oram e leem a Bíblia sozinhos em casa. O cristianismo não é edificado apenas em cima de indivíduos, mas também pelas reuniões.

3. O Funcionamento do Corpo se manifesta através das Reuniões

I Coríntios 12 fala a respeito do corpo, e o capítulo 14 fala das reuniões. Quando colocamos os capítulos 12 e 14 juntos percebemos claramente que um fala do Corpo e o outro fala do funcionamento desse Corpo. Percebemos então que o funcionamento desse Corpo depende das reuniões. Os olhos ajudando as pernas, os ouvidos ajudando a boca e assim por diante, demonstra a importância de cada membro do Corpo mais claramente nas reuniões. Aliás, todos os ministérios do Corpo funcionam nas reuniões e para elas.

Leiamos Dt 32.30. Se um pode perseguir 1000, como 02 podem perseguir 10.000? De acordo com o homem, se 01 pode perseguir 1000, 02 só podem perseguir 10.000. São 9.000 de diferença! Mas um sozinho faz muito pouco, porém reunindo suas forças, ideias, capacidades com mais 01, funcionando juntos todos os membros, farão coisas que apenas 01 jamais faria. Não tem como um cristão substituir as reuniões por uma busca individual.

A força da reunião se encontra mais forte em Mt 18.20. Aqui se refere no meio das reuniões congregacionais. Quando reunimos experimentamos as mais diversas e poderosas manifestações do Senhor que, sozinhos, jamais teríamos. A transfiguração, o Cenáculo, a pesca após a ressurreição, etc. Existem revelações que não virão senão para a congregação reunida. Deus não é egoísta!

4. Os Princípios da Reunião

O objetivo das reuniões dos santos é que todos sejam edificados. Se a edificação foi apenas para um pequeno grupo, ou uma só pessoa, há algo errado. I Co 14 fala que qualquer um que ore em outras línguas edifica apenas a si mesmo, a não ser que se levante alguma outra pessoa que as interprete e edifique a todos. Não se deve falar em outras línguas sem que alguém as interprete nas reuniões se não houver intérprete. Se fizer perguntas que vão destruir uma reunião, é melhor ficar calado, pois não servirão para a edificação de todos. Os que pensam apenas em si mesmos agridem a ordem do culto (I Co 14.40).

Quando nos reunimos devemos procurar a edificação dos outros e não a nossa. A reunião serve para a edificação geral, e não individual. Procure sempre cuidar dos outros nas reuniões. Esse é um princípio básico (I Co 14.26). Se nosso silêncio prejudica, devemos falar. Se nosso falar demais prejudica, devemos ficar mais calados. Quer estejamos calados, quer estejamos falando, façamos tudo para a edificação do Corpo de Cristo. Se você não tem certeza que seu falar edificará os outros, então fique calado! Reuniões para autopromoção não atraem a presença do Altíssimo, antes, a imitam.

5. Em Cristo

I Co 12.13. Não existe distinção na igreja. Em Um só Espírito fomos batizados; isso significa que não há mais diferenças. Gl 3.27,28. Não há judeu, ou grego; escravo, ou livre; homem, ou mulher, pois todos nos tornamos um em Cristo. Cl 3.10,11. No novo homem não pode haver distinção. Vejamos:

  • Gregos e judeus – São raças diferentes, de países diferentes, mas em Cristo não devem se gabar por algo que o outro não tenha. Em Cristo não há diferenças! Não há mais fronteiras. Todos se tornaram irmãos. Se eu introduzo na igrejas separações entre regionalismo ou parentesco, sou ignorante a respeito dessa verdade em Cristo. O intelectualismo (grego) não pode ser barreira à espiritualidade (judeu) e vice-versa. Tanto os que amam a intelectualidade como aqueles que amam a espiritualidade podem ser um em Cristo. Se há distinção entre ambos, há algo seriamente errado. Uma vez que se torne cristão, o homem deve deixar seu temperamento para trás. Tentar introduzir seu temperamento na Igreja só trará problemas sérios. O traço natural deve ser tratado e substituído pelo caráter de Cristo, a fim de que não haja mais distinção. Quando não, haverá um “grupo dos Quietos”, onde somente entrarão os que possuem esta personalidade, o “grupo dos Universitários”, composto por universitários, o “grupo dos Falantes”, que não se dá com os quietos, e assim por diante. O resultado disso é que muitas diferenças serão estabelecidas entre os filhos de Deus. O velho homem (temperamento antigo) e sua disposição natural devem ser banidos da igreja. Não importa se alguém é rápido ou lento, frio ou cordial, intelectual ou emocional, uma vez que seja irmão ou irmã em Cristo deve ser aceito em amor e sem diferenças.
  • Livres e escravos – As epístolas de I Coríntios, Gálatas, e Colossenses dizem que tal distinção foi eliminada em Cristo. Nesta época a escravatura era praticada e havia uma estratosférica distinção entre ambas as classes sociais.
  • Homem e mulher – Um irmão e uma irmã em Cristo têm as mesmas bênçãos e punições. Um foi salvo por Cristo, a outra também. Em Cristo o homem se salva, da mesma forma a mulher. Diferenças sociais existem, mas em Cristo somos um.
  • Bárbaros e citas – Distinção cultural. Precisamos aprender a ser um com todas as pessoas. Ser atencioso com o intelectual e desprezar o semianalfabeto é fazer distinção; ajudar os pobres e ser rude com os ricos é fazer distinção. Quando contatamos pessoas de culturas diferentes devemos ser um com elas um em Cristo.
  • Circuncisão e incircuncisão – Marcas externas não fazem a diferença, mas o amar sem distinção como Cristo amou. Gabar-se de marcas não é cristianismo. Da mesma maneira que os judeus têm suas marcas, os crentes também as têm (o batismo, a Ceia, o pão, o uso das mãos, então, se tornaram marcas). Os filhos de Deus não podem permitir que marcas externas (até mesmo alguns votos) façam distinção entre eles. Achar-se melhor que o outro devido a marcas externas demonstra a inferioridade espiritual daquele que traz as marcas.

Pensamentos denominacionais não trarão benefício algum para o Corpo e para as reuniões cristãs. Em Cristo somos um e precisamos aprender a viver essa verdade. Creio que quanto mais comunhão a Igreja tiver com Cristo em espírito e Sua Palavra, menos distinções haverão entre os filhos de Deus.

Sectarismo Eclesiástico:

  1. Grupos de Pensamento fechado contrário à direção da Igreja.
  2. Divisão Social – Surdos, mudos, cegos não se convertem. Será porquê?
  3. Panelinhas muitas vezes estão em acordo com a liderança da Igreja local, mas têm tampas fechadas para qualquer um que não faça parte do seu clã. Isso não é Igreja, é Seita!

Que, pelo amor do Senhor, possamos aprender a amar não apenas de palavras, mas em verdade e obras!

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