É tempo de voltar ao primeiro amor

Há um clamor no coração de Deus; estarmos bem juntinhos dele. Sempre. O seu amor é eterno e não muda. Por este motivo, nosso Pai quer que o amemos como no princípio. O Senhor Jesus faz um chamamento para que voltemos ao primeiro amor. No livro de Apocalipseestá assim registrado:

“Ao anjo da igreja em Éfeso escreve: Estas coisas diz aquele que conserva na sua mão direita  as sete estrelas, que anda no meio dos sete candeeiros de ouro:  Conheço as tuas obras, tanto o teu labor como a tua perseverança e que  não podes suportar os homens maus, e que puseste à prova os que a si mesmos se declaram apóstolos e não são, e os achaste mentirosos; e tens perseverança e suportastes provas por causa do meu nome, e não te deixaste esmorecer. Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor.  Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te, e volta à pratica das primeiras obras; e, se não, venho a ti, e moverei do seu lugar o teu candeeiro, caso não te arrependas.”

A igreja, alvo deste apelo apaixonado do Senhor descrito em Apocalipse, possuía várias qualidades. Aparentemente tinha uma posição doutrinária correta, trabalhava muito, era firme e muito perseverante nas várias tribulações e perseguições. Uma igreja forte em várias áreas, mas… havia abandonado o seu primeiro amor pelo Senhor.

Outra passagem no Antigo Testamento, no livro de Jeremias 2 diz:

“Lembro-me de ti, da tua afeição quando eras jovem, e do teu amor quando noiva, e de como me seguias no deserto, numa terra em que se não semeia. Então Israel era consagrado ao Senhor e era as primícias da sua colheita.”

Será que isto não está acontecendo conosco? Convertemos-nos há tanto tempo e a chama arde ainda pelo Senhor ou já está se apagando? Começamos no espírito, mas estamos permanecendo “na carne”?

Permita-me refletir contigo um pouco sobre este assunto.

O QUE PODE NOS AFASTAR DO NOSSO PRIMEIRO AMOR PELO SENHOR?

Alguns fatores que podem fazer isto.

As dificuldades

A igreja em Éfeso passou por várias tribulações. A tribulação não pode (e nem deve) nos afastar da intimidade com o Senhor.  Um homem que tinha o seu coração no Senhor, num salmo que escreveu, retrata muito bem que os tempos difíceis não o afastavam do Pai, mas o traziam mais para perto. Observe o que diz Davi, no Salmo 23. Nos primeiros versos ele usa o pronome pessoal (subentendido) na 3ª pessoa (ele, o Senhor) e depois, quando “passa pelo vale da sombra da morte” ele começa a usar o pronome possessivo na 2ª pessoa (tua, teu).  Veja:  “ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum porque a tua vara e o teu cajado me consolam”. Da 3ª pessoa para a 2ª pessoa. Isto é o aumento da intimidade com seu Pastor. Que bom vermos que o Senhor não nos abandona, Ele sempre está conosco.

O passar do tempo

O esfriamento que vem com a rotina, com as intempéries da vida e com o passar do tempo podem nos afastar do Senhor. Nossa maturidade deve levar-nos a mais intimidade com o Senhor e não a uma rotina de religiosidade destituída de vida e relacionamento. Quando ficamos desgastados e esfriamos perdemos o “coração” de crianças. Estou falando no sentido espiritual. O evangelho de Lucasafirma claramente. “ Em verdade vos digo: quem não receber o reino de Deus como uma criança de maneira alguma entrará nele.” O “sermos crianças” para o Senhor significa sermos humildes em sua presença, confiarmos plenamente nele e nos aproximarmos com toda a transparência. Aprender a confiar no papai como uma criança confia no seu. Observe como as crianças são carinhosas, receptivas e muito profundas nos seus relacionamentos.

Justiça própria

O fato de querermos ou achar que estamos “sempre certos”, de sermos justos aos nossos próprios olhos, pode nos afastar do Senhor e assim nos fazer esfriar. Às vezes pensamos que somos “muito justos”, mas isto, de fato, ocorre apenas “aos nossos próprios olhos”. Para o Senhor, nossas justiças não têm valor. Devemos mudar de postura do “só eu sou certinho” para “eu preciso me quebrantar e me humilhar”. Estou referindo a uma postura de justiça própria que não tem valor para Deus. Não quer dizer que não precisamos buscar a retidão e santidade. Quero dizer, sim, que em nosso coração deve estar a noção que o Senhor é Santo e nós dependemos dele para sermos santos.  O apóstolo Paulo4 disse, em certo momento de sua vida, que queria “ser achado nele, não tendo justiça própria, que procede de lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé.”  Outro homem de Deus, Tiago5, na sua carta diz  “porque a ira do homem não produz a justiça de Deus”.

Ídolos

Com o passar do tempo, em nossa vida cristã, podem vir bênçãos sobre nossas vidas e que nos fazem prosperar. Um bom emprego, um ministério reconhecido, o casamento com alguém muito especial.  Isto é bom e normal, só que elas não podem tomar “conta” do nosso coração e nem nos deixarem orgulhosos, como se nós merecêssemos alguma coisa ou que elas vieram pelo nosso esforço. No Antigo Testamento tem uma história de um homem que começou muito bem. Ele era um rei chamado Uzias, que fortaleceu várias áreas da sua nação, como a agricultura e o exército. Em tudo prosperou 6. Só que sua história mudou quando ele se exaltou e se esqueceu do Senhor: “Mas, havendo-se já fortificado, exaltou-se o seu coração até se corromper; e transgrediu contra o SENHOR seu Deus, porque entrou no templo do SENHOR para queimar incenso no altar do incenso.”

Ele fez algo desobedecendo ao Senhor, por conta do seu orgulho e auto-suficiência. Irmãos, a benção (ou o fato de sermos abençoados) não pode se tornar um “ídolo” para nós. Onde está a nossa suficiência, a nossa dependência? É no Senhor ou em nossos bens?  A nossa carreira e profissão são mais importantes que nossa vida com Deus? Nem o nosso próprio ministério ou nossa família podem estar em primeiro lugar.

O “sistema” criou alguns substitutos para que nos esqueçamos que nossa suficiência e dependência estão no Senhor. Quer saber onde? O cheque especial ou crédito bancário, o plano de saúde, o plano de aposentadoria, a poupança para termos uma moradia própria (ou para termos mais segurança). Algumas destas coisas são legítimas e fazem parte da nossa vida. Não há problema de termos uma casa própria ou sermos bem sucedidos no que fizermos. O problema é quando nosso coração fica altivo, soberbo e independente, confiando nelas e não na provisão amorosa do nosso Deus. Quando elas se tornam o centro da nossa vida (e preocupações). O problema é quando vamos “ajuntando” em nossos celeiros para termos a “segurança” para o futuro. E esta segurança não está mais no Senhor, mas neste mundo (ou na força do nosso braço).  Que nada tire nosso foco, nosso amor do Senhor! Nem os confortos que temos, nem as comodidades, nem a prosperidade. Nada ocupe o lugar do nosso Rei.  João em sua primeira carta, no último versículo disse “Filhinhos, guardai-vos dos ídolos”. Toda a nossa vida e nossos recursos devem ser para o Reino de Deus. Pense nisto.

AMARÁS O SENHOR TEU DEUS DE TODO O TEU CORAÇÃO …

Em Marcos 12: 30, Jesus nos diz: “Amarás pois o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força.”

Observe que primeiro fala de “todo o coração”.  O significado da palavra “coração” no hebraico (que são duas letras) tem o significado “aquilo que governa nossa casa”. Estas duas letras expressam um cajado (autoridade) junto com a tenda de um nômade. Ou seja, o mais profundo do nosso ser, aquilo que direciona nossa vida. A palavra coração (no português) vem do latim “cor” (cord, num latim mais antigo) que tem um sentido objetivo (músculo cardíaco), mas também abstrato como a “sede dos sentimentos.” Entende-se que o coração é a expressão do mais profundo do nosso ser.

A Bíblia nos diz, tanto no Antigo Testamento e no Novo Testamento, que devemos amar ao Senhor de “todo o coração”. Talvez hoje o amemos apenas com o nosso pensamento (ou entendimento), tendo conceitos intelectuais bem claros, talvez uma teologia muito aprimorada, mas conhecê-lo de “andar com Ele”, de amá-lo verdadeiramente, de amá-lo de “todo o nosso coração”, isto é o que o Senhor nos conclama hoje.

HOMENS E MULHERES QUE AMARAM O SENHOR

Em alguns episódios, vemos expressões de homens e mulheres que amaram o Senhor, de modo apaixonado e radical. Alguns textos: Lucas 7: 36 – 50, a mulher pecadora que ungiu os pés de Jesus. Ela amou (e se expressou) porque foi perdoada. Sua gratidão ao Senhor precisava extravasar de alguma forma. Lucas 10: 38-42, Maria ficando aos pés do Senhor e Ele disse que havia necessidade de apenas uma coisa (só uma), quando Marta lhe pede para que sua irmã lhe ajudasse. A escolha de Maria era a correta. Em João 21: 7-8, Pedro se atira nas águas, para se encontrar com o Senhor. Pedro amava o Senhor e não media esforços para expressar isto.

CARACTERÍSTICAS E SINAIS DO PRIMEIRO AMOR

Vemos alguns sinais que caracterizam este amor que nosso Senhor quer que tenhamos e expressemos.

– AMOR QUE NÃO SE PREOCUPA COM A OPINIÃO ALHEIA

Pedro se atirou nas águas, Maria ficou sentada ouvindo seu Mestre ensiná-la, a mulher pecadora quebrou um frasco de perfume caríssimo para ungir Jesus. Não estavam preocupados com o que os outros iriam pensar sobre eles. Somente com o que o seu Senhor pensava, isto é o que importava.

– AMOR APAIXONADO

No livro Cântico dos cânticos (Cantares) em vários versos fala “Eu sou do meu amado e ele é meu !” Nosso primeiro amor é apaixonado, ele quer se expressar, demonstrar carinho e total dedicação. E tem plena certeza que o alvo do seu amor o ama também apaixonadamente.

– AMOR DE ESTAR JUNTINHO

O discípulo a quem Jesus amava, João, estava sempre juntinho do Mestre. Há duas passagens, João 1:18 e João 13:23 em que a palavra no original grego, que significa “o aconchego do peito”, é usada de modo similar. Jesus estava bem juntinho com o Pai e João está bem juntinho com Jesus.  Ele nos deu exemplo.

João 1:18 Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, esse o revelou.

João 13:23 Ora, achava-se reclinado sobre o peito de Jesus um de seus discípulos, aquele a quem Jesus amava.

–  AMOR QUE SE ENTREGA

Em nosso primeiro amor não tínhamos reservas para o Senhor, nos entregávamos total e incondicionalmente. Hoje devemos voltar a ser assim.

– AMOR QUE COLOCA O SENHOR EM PRIMEIRO LUGAR

Não damos mais o segundo e nem o terceiro lugar para o Senhor, quando o amamos de todo o coração. Ele é o primeiro e o principal. Ele tem a primazia. É, de fato, o “número 1” em nossa vida.

VOLTANDO AO PRIMEIRO AMOR.

Para voltarmos ao primeiro amor, devemos saber quem é Jesus Cristo e o que ele fez por nós. Lembrarmos de seu amor, da sua majestade e grandeza, lembrarmos da obra na Cruz e da sua Ressurreição. De como ele nos abriu o caminho para a comunhão com o Pai, rasgando o véu e nos libertando das trevas para adentrarmos ao Reino da Luz.

… E ÀS PRIMEIRAS OBRAS

O que fazíamos quando nos convertemos ao Senhor? Como era o nosso coração?  Entendo que não apenas o aspecto qualitativo mudará, mas também o que move o nosso coração. É “o como” faremos as obras de Deus. A nossa intenção, o que nos moverá ao fazer as obras de Deus.

O caminho para a volta ao primeiro amor é o arrependimento.  Arrependimento fala de mudança da forma de pensar e agir.

Primeiro amor é “amor de todo o coração, de toda a alma, de todo o entendimento e toda a força”. Que o Senhor nos ajude a voltarmos ao “primeiro amor” e nunca mais deixá-lo.

SUGESTÃO DE ÁUDIO:

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