O Prazer da Oração

Conta o ensaísta francês Michel Montaigne (1533-1592) que, quando ele era pequeno, seu pai costumava despertá-lo do sono, bem cedo, de manhã, ao som de sua harpa. Seu objetivo era tornar alegre o despertar do filho, enchendo de harmonia o coraçãozinho do menino.

Recebemos de Deus, nós os cristãos, o tratamento de filhinhos, se, pela manhã, saudamos ao Pai dos Céus. Nossas palavras de oração tocarão as cordas dos instrumentos celestiais e ouviremos, então, as melodias do Céu, que porão nossa vida em harmonia, e nos prepararão para as lutas do dia.

Escreve Gotardo Ferrini: “Não posso conceber uma vida sem oração, um despertar pela manhã, sem encontrar o sorriso de Deus, um reclinar a cabeça à noite, sem primeiro recliná-la sobre o peito de Jesus”.

É essa atitude que dá força para enfrentar as vicissitudes da vida. Ninguém pode prescindir da oração, se quiser vencer os transes agudos da vida.

Conta-se de um famoso orador grego que, antes de abrir a sua boca, nas praças de Atenas, para falar, pedia a um músico, que o acompanhava sempre, que lhe desse a nota para falar aos seus concidadãos com voz bela e graciosa. O discurso começava a partir da nota dada, e na mesma tonalidade. Não deveríamos nós, também, assim proceder em nossos hábitos de oração? Ao despontar da aurora peçamos a Deus que nos dê a nota que nos acompanhe durante as horas seguintes do dia! E, a partir da nota dada, pensarmos, falarmos e agirmos na mesma tonalidade!?!

Quem começa o dia falando com Deus, aprende o segredo de tantas vidas vitoriosas, e passa a sentir o prazer da oração!

Há um grande perigo, entre muitos que ameaçam o cristão, e é o de tornar a oração rotineira. Repetem-se palavras iguais, expressões surradas pelo tempo, repetições vãs, termos balbuciados às pressas, palavrório semi-inconsciente. Isso tudo pode tornar a oração algo maçante, cansativo e desagradável, a ponto de, imperceptivelmente o cristão ir perdendo o gosto por ela, passando a orar menos, cada vez menos. E, para sermos honestos com nós mesmos, temos de convir que muitas vezes tratamos a Deus de modo incorreto, inconveniente e até mesmo irreverente. Com ninguém usamos de tão pouca atenção como, às vezes, fazemos para com Deus. Senão, vejamos:

Ao nos dirigirmos a uma pessoa a quem precisamos falar, como é que geralmente nos apresentamos e lhe falamos? Não é verdade que as senhoras tiram da bolsa o espelho e se olham nele, ajeitam o cabelo, passam os dedos nas sobrancelhas, mordem os lábios umedecendo-os, dão uma olhada geral na roupa que vestem, cuidam de seu porte, capricham nos seus gestos e ensaiam um agradável sorriso? Os homens ajeitam o nó da gravata limpam o pigarro, inflam o peito, sacodem a caspa das lapelas e da gola do paletó, olham para o relógio, conferem o brilho dos sapatos, vêem se tudo está em ordem com eles, não é fato?

E quando estamos falando às pessoas, como lhes damos atenção! Como ouvimos atentamente sua fala, e tomamos todo o cuidado com nossas palavras! Como escolhemos a melhor linguagem. E que preocupação com o que dizemos, não é verdade?

Só quando falamos com Deus é que nos esquecemos das regras mais elementares da boa educação.

E alguns, felizmente são bem poucos, parecem vir à Igreja e mal se contêm até o último amém, quando parecem aliviados de um grande peso. E ali não é pequeno o número dos que não gostam de orar. A fim de justificar-se, dizem: tenho vergonha, não sei fazer orações bonitas. como se Deus tivesse prazer em ouvir palavras. Deus espera expressões de amor e gratidão a Ele. Deus espera de Seus filhos a manifestação singela de seu coração, a espontaneidade, a naturalidade de alguém que fala a um amigo em quem confia!

Muitos não chegam a descobrir o prazer da oração justamente porque querem fazer um discurso ou uma poesia perfeita. A oração não deve ser retórica, mas espiritual!

A Palavra de Deus dá-nos algumas orientações a fim de acharmos prazer na oração.

Vamos lembrar de umas poucas:

1) O que dizer na oração? – Mateus 6:7 e 8: “Nas suas orações, não fiquem repetindo o que já disseram, como fazem os pagãos, que pensam que por causa de suas longas orações Deus vai ouvi-los. Não sejam como eles, pois o Pai já sabe o que vocês precisam, antes de pedirem”.

2) O que fazer para alcançar perdão? – Marcos 11:25 e 26: “E quando estiverem orando, perdoem os que os ofenderem, para que o Pai que está no céu perdoe os pecados de vocês. Se não perdoarem os outros o Pai que está no céu não perdoará os pecados de vocês”.

3) Quando orar? – Lucas 18:1: “Jesus fez a seguinte comparação para eles, para mostrar que sempre deviam orar e nunca desanimar”.

4) Orar pelos amigos dá prazer – Já 42:10: “Mudou o Senhor a sorte de Jó, quando este orava pelos seus amigos e deu-lhe o dobro de tudo o que antes possuíra”.

5) Lembrar nossa cidade faz bem e traz paz – Jeremias 29:7: “Procurai a paz da cidade, para onde vos desterrei, e orai por ela ao Senhor; porque na sua paz vós tereis paz”.

6) Mencionar os que nos maltratam e nos perseguemMateus 5:44: “Mas Eu digo a vocês: Amem seus inimigos e orem pelos que perseguem vocês”.

7) A posição das mãos – II Crônicas 6:13: “Porque Salomão tinha feito uma tribuna de bronze, de cinco côvados de comprimento, cinco de largura, e três de altura, e a pusera no meio do pátio; pôs-se em pé sobre ela, ajoelhou-se em presença de toda a congregação de Israel, estendeu as mãos para o céu”.

8) Em circunstâncias difíceis – II Crônicas 33:11-13: “Pelo que o Senhor trouxe sobre eles os príncipes do exército do rei da Assíria, os quais prenderam a Manassés com ganchos, amarram-no com cadeia, e o levaram a Babilônia. Ele, angustiado, suplicou deveras ao Senhor seu Deus, e muito se humilhou perante o Deus de seus pais; fez-lhe oração, e Deus Se tornou favorável para com ele, atendeu-lhe a súplica e o fez voltar para Jerusalém, ao seu reino; então reconheceu Manassés que o Senhor era Deus”.

9) De dia e de noite – Salmo 88:1 e 2: “Ó Senhor, Deus da minha salvação, dia e noite clamo diante de Ti. chegue à Tua presença a minha oração, inclina os Teus ouvidos ao meu clamor”.

10) Método e freqüência – Daniel 6:10: “Daniel, pois, quando soube que a escritura estava assinada, entrou em sua casa, e, em cima, no seu quarto, onde havia janelas abertas da banda de Jerusalém, três vezes no dia se punha de joelhos, e orava, e dava graças, diante do seu Deus, como costumava fazer”.

11) Em lugares estranhos – Jonas 2:1: “Então Jonas do ventre do peixe orou ao Senhor, seu Deus”.

12) Ao ar livre – Atos 10:9: “No dia seguinte, ao meio-dia, Pedro subiu ao terraço para orar. Enquanto isto, eles iam pelo caminho, já perto de Jope”.

13) A força da coletividade – Atos 12:5: “Assim, Pedro estava preso e era vigiado pelos guardas, mas a Igreja continuava a orar com fervor por ele”.

14) Através das grades de uma cadeia – Atos 16:25: “Mais ou menos à meia-noite, Paulo e Silas oravam e cantavam hinos a Deus, e os outros presos estavam escutando”.

15) Na areia de uma praia – Atos 21:5: “Mas quando acabou o tempo de ficarmos com eles, continuamos nossa viagem. Aí eles nos acompanharam até fora da cidade, com suas esposas e filhos. E todos nós ajoelhamos ali na praia e oramos”.

16) Em todo lugar – I Timóteo 2:8: “Quero que, em todos os lugares, orem todos os que são dedicados a Deus e podem levantar suas mãos em oração a Ele sem ódio e sem brigas”.

17) Uns pelos outros – Tiago 5:16: “Portanto, confessem os pecados uns aos outros, e façam oração pelos outros, para que sejam curados. A oração de uma pessoa piedosa tem muito poder”.

E a tua experiência quanto à oração, qual tem sido, amigo ouvinte? Sentes prazer em orar? Descobrindo o prazer da oração, já te aprofundaste nele?

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