Recuperando e Preservando a Presença de Deus

As vezes passamos por fases em nossa vida e, assim como Israel na fuga do Egito, sentimos a opressão dos inimigos espirituais, titubeamos, caímos em murmuração e perdemos a percepção viva da presença do Senhor em nossas vidas, começando a olhar para os homens e querendo deles as respostas. Israel agiu assim com Moisés. Tornou-se de um coração endurecido e vacilantes perderam a fé e a esperança. O contexto que Israel estava vivendo eram os dias do pecado do bezerro de ouro.

Vemos na história de Israel desde seus primórdios a atuação de um Deus extremamente interessado no bem-estar total de seu povo. Mas vemos também um povo nem sempre adorando seu Deus de forma pura e total. Temos sempre na história de Israel um círculo vicioso de opressão e/ou estado de caos seguido de clamor e libertação. Mas, infelizmente, voltando ao pecado e posterior opressão por causa deste. Bem mais claro do que no livro Êxodo, o livro de Juízes é o ápice do caos deste povo que aqui se encontra em peregrinação naquela terra.

Observemos esta história e veremos um Israel oprimido no Egito, mas liberto com sinais e prodígios miraculosos. Porém, parece-nos que o louvor de Miriã, apesar de sincero durou pouco. Logo a sede trouxe murmuração e apesar de uma amarga Mara ter-se tornado doce, em Parã junto com a fome veio a sede, e apesar de Deus ter enviado as refeições de forma alada, com o formato de codornizes, aquele lugar ficou conhecido como kibroth-hataavah, ou seja, sepulcros de pecados. No deserto de Zim, depois de uma costumeira murmuração, apesar de águas terem saído das rochas, o coração continuava irrequieto. Mais adiante, logo no Sinai chegamos ao máximo da murmuração, que é idolatria, podemos perceber que o resultado da equação, murmuração adicionada com impaciência será igual a idolatria. Quando estamos com um coração ingrato, impacientes, fabricaremos os nossos próprios deuses. O coração do ser humano é a maior das fábricas de deuses, pois, a Bíblia diz: “como imagina em sua alma assim ele é” (Pv 23:7).

Um deus do meu jeito fará o que eu quiser e não o que ele quer. O que fazer se eu em minha luta estou criando os meus deuses de estimação, um deus-pet, um deus mais light, que eu o alimento e ele faz o que eu mando. O que devo fazer se perdi minha comunhão com o Deus verdadeiro e único, e estou vivendo a domesticar bezerros. Sim é verdade que são de ouro, mas são duros, vazios, que não ouvem , não enxergam, não respondem. Meu amado(a), só existe um jeito, é darmos três passos em direção a Deus, e esses são os três passos:

COMO POSSO FAZER PARA RECUPERAR OU PRESERVAR A PRESENÇA DE DEUS EM MINHA VIDA?

1°. É NECESSÁRIO NOS HUMILHARMOS E NOS QUEBRANTARMOS. (Ex 33:1-4)

Deus disse a Moisés: “Vai, sobe daqui, tu e o povo que tiraste da terra do Egito para a terra a respeito da qual jurei a Abraão, a Isaque e a Jacó, dizendo: a tua descendência a darei. Enviarei o Anjo diante de ti; lançarei fora os cananeus, os amorreus, os heteus, os ferezeus, os heveus e os jebuseus. Sobe para uma terra que mana leite e mel; eu não subirei no meio de ti , porque és povo de dura cerviz, para que te não consuma eu no caminho. Ouvindo o povo estas más notícias, pôs-se a prantear, e nenhum deles vestiu os seus atavios.”

Imagine um paraíso sem Deus, o céu sem Deus, o Reino sem o Rei, o universo sem o seu Regente máximo. Parece que foi isso que Deus propôs a Moisés. Vocês terão vitória sobre todos os inimigos, o meu anjo irá a sua frente, a terra escorre leite e mel, é fecunda e doce, só que eu não irei. Não sabemos se Moisés perguntou por quê? Mas sabemos que Deus respondeu a essa indagação e disse “é o vosso pecado e dureza de coração que me impede de ir convosco!” (ênfase do autor). Parece que pela atitude de Moisés ele “disse”, se o Senhor não for eu também não irei! Porque eu não quero estar em nenhum lugar onde o Senhor não esteja! (ênfase do autor).

Mas a Bíblia diz, “Ouvindo o povo essas más notícias, pôs-se a prantear…” Temos aqui o primeiro passo que temos que dar em direção a recuperação da presença de Deus em nossas vidas, nos humilharmos e nos quebrantarmos na presença de Deus, humilhação e quebrantamento, embora um pouco “fora de moda”, segundo os conceitos neo-eclesiásticos da atualidade, que crê e prega um deus subserviente; o deus-cash, que é na verdade uma máquina de abençoar e não mais, num Deus Poderoso e Senhor absoluto de toda a Sua Igreja e de todo o Seu Universo e de todos as coisas e seres por Ele criados. Não há outro primeiro passo a ser dado, é só pelo caminho da humilhação e pela estrada do quebrantamento que começa a volta ao Caminho árduo, mas cheio de Graça de Deus Pai. Não existe glória sem cruz.

A Bíblia diz em Jl 2:12-17 que a verdadeira conversão à Deus é de todo o coração; e isso com jejuns, com choro e com pranto (aqui parece uma forma mais profunda de abatimento e tristeza da alma), diz que é o coração (interior) que deve ser rasgado e não as vestes (exterior). Na época em que vivemos deve haver toques de trombeta convocando ao arrependimento e não aos festivais exteriores e rasgamento de sedas, nos palcos e pavilhões onde almas lotam, para muitas vezes assistirem espetáculos, que são nada mais do que uma fogueira de vaidade, usando como combustível o orgulho e a soberba. Em lugar disso deveriam estar homens de Deus, com Palavras de fogo da parte do Senhor dizendo: “Arrependei-vos, pois é chegado o Reino dos céus….” O quebrantamento deve envolver todo o nosso ser e tudo o que possuímos.

2°. RETIRARMOS OS ATAVIOS. (Ex 33:4)

“Ouvindo o povo essas más notícias, pôs-se a prantear, e nenhum deles vestiu os seus atavios “. Quando nos convertemos trazemos conosco muitos conceitos, padrões e filosofias do tempo do Egito e estas coisas se tornam como laços em nossas vidas. Elas são a motivação interior que nos leva a impaciência, murmuração e a idolatria, isto é, a fabricação de nossos próprios deuses, conforme esses conceitos que ainda enfeitam e adornam nossa mente e o nosso estilo de vida. Por isso Paulo, o apóstolo, diz: “Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis os vossos corpos por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12:1-2).

Paulo sabia que temos a tendência de trazer os padrões deste mundo para dentro do cristianismo e isso nos é fatal. Sendo assim não teremos uma vida de vitória, e seremos fabricantes de bezerros de ouro por aí. O cristianismo é uma vida de morte do “eu” a cada dia é um carregar da cruz, seguindo como um discípulo o nosso Mestre, desvestindo-nos das vestes do Egito e vestindo-nos das vestes de Cristo.

Os atavios dos israelitas no Sinai, eram deuses do Egito em forma de pingentes, jóias, braceletes, anéis, em forma de ratos, bodes, bezerros, sol, lua, estrelas, gatos, todos deuses do Egito; enfim, enfeites e representações materiais dos deuses do Egito.

Quais seriam hoje em nossas vidas esses deuses que nos ataviamos e usamos sutilmente como “sacros” e necessários para vivermos em pleno “novo milênio”. Alguns pingentes e enfeites que temos visto na nossa época são:

  • materialismo, uma luta muito grande em estar sempre buscando uma projeção no mundo através de bens materiais e posses, e sentir-se importante por possuir coisas, ser avaliado e avaliar quanto a quantidade e capacidade de consumo que temos. O materialismo abrange tanto o produzir, criar, como consumir, usufruir o que produziu. Nabucodonosor disse, usufruindo, de seu poder: “Não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei para a casa real, com o meu grandioso poder e para a glória da minha majestade?” (Dn 4:30). O materialista logo cairá na soberba de indagar a si mesmo e louvar a si próprio, por causa da sua capacidade humana de fazer coisas, usando suas posses.

  • secularismo, procura sempre enfeitar o cristianismo com idéias avançadas, filosóficas, místicas, psico-pedagógicas, de uma nova ordem, com o ensino de que devemos viver nessa nova ordem e não o “velho padrão arcaico de Deus”. Padrão esse que, segundo o secularismo, agride o livre arbítrio do homem e suas escolhas sobre como ele deve ser e viver. Segundo o secularismo o homem deve viver em prol de seu completo e absoluto prazer. Isso é total engano e astúcia da velha serpente do Éden.

  • relativismo, o mundo de hoje é um mundo onde tudo é relativo, segundo o próprio padrão do mundo, nada é realmente real e tudo pode ser real. Na verdade, a virtualidade está enchendo o coração do ser humano. Ele pode fazer o que quiser, ser o que quiser, ter o Deus que quiser, pois o próprio cristianismo tem se tornado um cristianismo virtual e relativo. Ninguém dentro do relativismo tem culpa de nada, nem precisa assumir responsabilidade por nada, pois, tudo é relativo. O pecado é relativo, a injustiça é relativa, o mal é relativo, o bem é relativo, a própria expressão da igreja tem assumido uma postura de relatividade dentro de sua influência social. Isso vem com a nova ordem mundial. Eu não preciso me estressar muito, pois, não tenho culpa de nada do que está acontecendo com esse mundo e não tenho culpa de meus próprios pecados, isso é relativismo puro. O relativismo tem destruído pessoas, relacionamentos, a sociedade, a justiça, a verdade, a essência do amor e a Igreja.

  • conformismo, o mundo globalizado é um mundo conformado com tudo o que vier, qualquer novidade é bem vinda, desde que melhore a minha vida e eu precise fazer menos esforço para adquiri-lo. Hoje a guerra está acontecendo dentro dos corações e não tanto o medo dos mísseis nucleares. Vivemos uma era de síndrome de pânico e fobias por causa das tão grandes mudanças que temos a cada dia. E a ordem do dia continua sendo: “preciso me conformar com todas as mudanças e aceitá-las ou então serei massacrado por elas e não poderei fazer parte desta “nova sociedade”.

  • individualismo, esse atavio desta era, tem destruído a amor a Deus, o amor próprio e o amor ao próximo. A busca é pelo seu lugar debaixo do sol, independente do que você terá que fazer para consegui-lo. Não importa quem sofra desde que eu chegue ao meu objetivo. Não importa os meios e sim os fins. Por isso vivemos dias de frieza e apatia quanto as necessidades de outros seres humanos. Há muito tempo não ligamos para o sofrimento alheio. Como o coração de Deus deve sofrer por causa de nossos dias de individualismo e egoísmo. Dias de tanta tecnologia e avanço, com o homem viajando cada vez mais longe no cosmos infinito, com projetos de bilhões de dólares e o ser humano cada vez mais aviltado, sofrendo nos continentes subjugados pelas nações opressoras. É tempo de sondarmos nosso coração e avaliarmos nosso grau de culpa em tudo isso, então com coragem nos desvestirmos deste atavio satânico, que já estava no coração de Lúcifer, antes de sermos criados.

  • ativismo, estamos sempre querendo correr de um lado para o outro, buscando incessantemente fazer coisas para sermos reconhecidos pelos homens. E muitas vezes nos esquecemos de que o mais importante é o que Deus pensa de nós. Não precisamos fazer coisas para sermos amados por deus, pois, Ele deu seu Filho para morrer por nós quando ainda éramos pecadores (Rm 5:8). O ativismo nos torna insensíveis a voz de Deus e incapazes de reservarmos tempo para Ele. Precisamos nos desligar da tirania do urgente e priorizarmos as coisas que realmente são importantes em nossas vidas, ou seja, o Senhor. O mais importante de tudo é o Senhor. Parece que os israelitas esqueceram disso, quando deixaram seu coração encher-se de ativismo religioso e quiseram fazer o seu deus, bezerro de ouro; isso era total ativismo religioso

Amados, quando nos quebrantamos, vemos o nosso verdadeiro estado. Talvez, acabemos enxergando o quanto somos cheios de sensualidade, impurezas, mentiras, murmurações, calúnias, desrespeito às autoridades, ira, ódio, rancor, falta de perdão, adultérios e injustiças.

3°. ERGUERMOS UMA TENDA PARA NÓS (Ex 33:7-11)

“Ora, Moisés costumava tomar a tenda e armá-la para si, fora, bem longe do arraial; e lhe chamava a tenda da congregação. Todo aquele que buscava ao Senhor saía à tenda da congregação, que estava fora do arraial. Quando Moisés saía para a tenda, fora, todo o povo se erguia, cada um em pé à porta da sua tenda, e olhavam pelas costas, até entrar ele na tenda. Uma vez dentro Moisés na tenda, descia a coluna de nuvem, e punha-se à porta da tenda; e o senhor falava com Moisés. Todo o povo via a coluna de nuvem que se detinha à porta da tenda; todo o povo se levantava, e cada um à porta da sua tenda adorava ao Senhor. Falava o Senhor a Moisés face a face, como qualquer fala a seu amigo; então voltava Moisés para o arraial, porém o moço Josué, seu servidor, filho de Num, não se apartava da tenda” (Ex 33:7-11).

Cada um de nós precisa ter seu momento e local de intimidade com o Senhor. Certamente, Ele sempre quer falar conosco; nós é que nem sempre estamos disponíveis para ouvi-lo. Essa intimidade com Deus somente será construída gastando tempo a sós com Ele. Se eu quiser ter intimidade e amizade com uma pessoa, precisarei estar com ela, investir tempo, falar com ela e ouvi-la.

Moisés nunca abriu mão de sua intimidade com o Senhor. A Bíblia diz que ele armava a sua tenda longe do burburinho do arraial, longe do barulho do povo, longe do ativismo, do estrelismo, solitário, ele e o seu Grande Amigo.

Eu não sei onde é o local que você arma a sua tenda de intimidade com o Senhor. Espero que seja num lugar tranqüilo, mesmo em meio a intranquilidade da vida. Com certeza ali você e eu teremos respostas a todas as nossas perguntas e, melhor do que isso, a presença do Eterno em nossas vidas.

CONCLUSÃO

Talvez você tenha perdido a presença de Deus em sua vida. Se esse é o seu caso, resta uma solução: humilhe-se e quebrante-se, derramando seu coração na presença de Deus, através do arrependimento autêntico, genuíno, verdadeiro.

Retiremos os atavios e despoje-se do velho homem do Egito, ou seja, pecados e coisas estranhas a Deus, através da confissão. Sem arrependimento e confissão não há como recuperar a presença de Deus. É engano do diabo se ele diz que há outro maneira. O único caminho da nossa restauração é nos humilharmos na presença do Senhor. Reconheça quais são os atavios em sua vida, se estão encobertos peça a direção do Espírito Santo para sondar o seu coração.

Finalmente, precisamos erguer uma tenda de intimidade com Deus, um lugar onde todos os dias falaremos com Ele, teremos intimidade com Ele, será nosso lugar secreto com Deus. Lembre-se, a vida secreta com Deus mantém a sua vida pública diante dos homens. Então teremos descanso e refrigério da vida do Egito e finalmente o Egito e seus atavios sairão de nós, pois o Senhor diz em sua Palavra: “ENTÃO MINHA PRESENÇA IRÁ CONTIGO E EU TE DAREI DESCANSO…”(EX 33:14).

::Igreja do Nazareno Betel

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